Fonte:
Valor Econômico - 20 de janeiro de 2012.
Guilherme
Calheiros, diretor do Porto Digital:
apoio à economia criativa
|
O Porto Digital, complexo que reúne 200 empresas de
tecnologia da informação (TI) no centro do Recife, planeja atrair investidores
nacionais e internacionais que já financiam companhias brasileiras no Sudeste.
Para isso, o parque tecnológica pretende inaugurar, em abril, escritórios em
Suape (PE) e São Paulo. O polo também quer abrir uma unidade no Vale do
Silício, nos Estados Unidos, até o fim do ano. Como parte do projeto de
expansão, o Porto Digital também está investindo na criação de duas incubadoras
de empresas.
Nesta semana, os dirigentes do Porto Digital
visitaram condomínios em São Paulo para escolher o local do novo escritório.
Guilherme Calheiros, diretor de inovação e competitividade empresarial do Porto
Digital, diz que 25% da receita anual das empresas do polo - que somaram R$ 1
bilhão em 2011 - é obtida com vendas para São Paulo.
A principal fonte de receita é Pernambuco, que
representa 36% da receita das empresas do parque tecnológico. Suape foi eleita
em função dos projetos de investimento nas áreas de petroquímica e indústria
naval previstos para os próximos dez anos, estimados em R$ 25 bilhões. "O
terceiro ponto de apoio fora do Porto será o Vale do Silício", diz
Calheiros. O Porto Digital avalia se instala um escritório próprio nos Estados Unidos,
ou se faz acordo de cooperação com uma universidade no país. "Mas é certo
que teremos um pé no Vale do Silício", diz o executivo.
A decisão de instalar escritórios nessas regiões
deve-se à dificuldade do parque tecnológico em atrair investidores ao Recife.
"Os fundos de investimento mantêm escritórios no Rio e em São Paulo e
dificilmente procuram empresas fora desse eixo", diz Calheiros. Os fundos
que investem no polo atualmente são o Fir Capital Partners e a Rio Bravo
Investimentos. Para o executivo, a captação de recursos será fundamental para
estimular o crescimento das empresas instaladas no polo.
Fundado em 2000, o Porto Digital atraiu grandes
companhias, como IBM, Microsoft, Accenture e Ogilvy, que se instalaram no polo.
Neste ano, a Jereissati Participações vai instalar o Armazém do Empreendedor,
que funcionará como aceleradora - uma incubadora cujo objetivo é transformar
uma ideia em produto no prazo médio de seis meses. O Armazém vai selecionar
projetos de TI e investir até R$ 50 mil em cada um deles. O primeiro edital de
seleção está previsto para novembro.
O Porto Digital também conclui neste ano uma
incubadora voltada à economia criativa. Com inauguração prevista para maio, a
proposta é apoiar companhias iniciantes de design, música, publicidade e
propaganda, cinema, animação e fotografia. Em junho, o parque publicará um
edital para selecionar seis empresas.
As companhias focadas na economia criativa ficarão
concentradas em uma nova área de 3 mil metros quadrados no bairro Santo Amaro,
que no ano passado passou a integrar o Porto Digital, antes restrito ao bairro
do Recife Antigo. As novas empresas terão o Imposto Sobre Serviços (ISS)
reduzido de 5% para 2%, conforme acordo com a Prefeitura do Recife.
Serão escolhidas 20 empresas para compor o Centro
Porto Mídia, fruto de um investimento de R$ 8 milhões do Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI), da Financiadora de Projetos e Estudos (Finep) e
do governo de Pernambuco.
"A meta, com essas novas empresas, é atrair
investidores ao polo", diz Calheiros. De acordo com o executivo, o Porto
Digital possui R$ 70 milhões em recursos para investir nos próximos quatro anos
no projeto de expansão das atividades. Além dessa nova incubadora, o Porto
Digital mantém o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) e a
Incubadora CAIS do Porto.
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