7 de novembro de 2011

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Sobram empregos, falta educação de qualidade

Îndice Firjan de Desenvolvimento Municipal, maior levantamento no País sobre a realidade das cidades brasileiras, mostra que em Ipojuca não faltam postos de trabalho, porém, educação fundamental é atrasada

Fonte: Jornal do Comércio de 06/11/2011

Adriana Guarda e Felipe Lima


Ipojuca, a terra dos contrastes. Lá não faltam empregos, investimentos privados e receita de impostos para o cofre da prefeitura. Situação inversa à qualidade da educação. A edição 2011 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), maior levantamento no País sobre a realidade das cidades brasileiras, mostra que – com base em dados socioeconômicos de 2009 – a criação de postos de trabalho e o aumento de renda em Ipojuca atingiram o patamar máximo de 1,0000. Trocando em miúdos, significa “pleno emprego”, “alto desenvolvimento”. Na mesma tabela, ao lado do estupendo resultado, a decepção. Em educação, Ipojuca amarga 0,5776, um índice classificado apenas como “regular” e abaixo do registrado em cidades que fazem parte das 10 últimas posições no ranking geral de Pernambuco como Capoeiras (0,6022), Paranatama (0,5915) e Manari (0,5826).

A larga oferta de emprego mascara os problemas sociais. Alexandro José dos Santos, 30 anos, nascido e criado em Ipojuca, deixou a Agência do Trabalho da cidade, no fim da manhã da última quinta-feira, sem sinais de preocupação. Desempregado há 15 dias, deu entrada no seguro-desemprego só por garantia. Já está “apalavrado” com uma empresa de transporte para assumir um posto de auxiliar de caminhoneiro. Alexandro só estudou até a 8ª série (atual 9º ano). Não pretende voltar as salas de aula. “Encontrar trabalho está fácil. Várias empresas de transporte estão atuando por aqui. Nos últimos três anos, não passei mais que um mês sem trabalhar”, justifica. Ele não almeja sequer virar motorista. Segue despreocupado enquanto houver vagas para sua função de um salário mínimo e meio.

Ipojuca é um imenso sinal de alerta. Não há outra maneira de inserir a população no atual cenário de transformação econômica vivido pelo Estado – onde a cidade é protagonista – sem um sistema educacional público à altura. Eis o porquê da ameaça de um desenvolvimento sem sustentabilidade, onde as melhores oportunidades de trabalho ficam com quem vem de fora. Se há um consenso entre especialistas é que quanto mais anos de escolaridade, maior é a renda de um trabalhador.

Para obter o IFDM, a equipe da gerência de estudos técnicos da Firjan analisa apenas dados oficiais sobre emprego e renda, educação e saúde. No campo educacional observa o número de matrículas, o volume de abandono das escolas, as distorções nas idades dos alunos por série, quantos professores possuem ensino superior, as horas aula diárias nos colégios municipais e, por fim, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Falta de dinheiro não é o problema de Ipojuca. Segundo o último balanço orçamentário enviado à Secretaria do Tesouro Nacional, as receitas previstas para o município, entre janeiro e agosto deste ano, chegam a R$ 419,2 milhões. As despesas com educação, maior orçamento, estavam orçadas em R$ 104,6 milhões. É simplesmente duas vezes todo o Produto Interno bruto (PIB) de Manari (R$ 50,9 milhões), cidade que ostenta melhor marca educacional no Índice Firjan.

A explicação para o resultado paradoxal registrado em Ipojuca se resume a uma palavra: gestão. Ou melhor, a falta dela. O drama é antigo. Entre 2000 e 2009, o índice de educação da cidade passou de 0,5766 para 0,5776, um crescimento pífio de 0,2%, fazendo com que Ipojuca ocupe a última posição no ranking de crescimento nesse quesito. “O que faz de uma cidade como Quixaba, no Sertão da Paraíba, ser o destaque do Ideb? Competência gerencial e eficiência na utilização dos recursos”, responde o economista Sérgio Buarque, da consultoria Multivisão.

O também economista Alexandre Rands, que recentemente lançou um livro sobre a raiz das desigualdades regionais no Brasil, engrossa o coro. “É uma questão de prioridades. Com um dos maiores orçamentos de Pernambuco, Ipojuca deveria promover uma revolução na educação, com escolas de altíssima qualidade”, afirma. Ambos concordam que a solução não é levantar ou reformar escolas.

Presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, sugere uma receita: melhorar o salário dos professores para atrair jovens talentos para a cidade; criar mecanismos de remuneração atrelados ao desempenho dos docentes; reduzir drasticamente as taxas de analfabetismo; investir em unidades de ensino integral já para a educação fundamental; e, novamente, aprimorar a gestão.

OBSERVAÇÃO:
REGISTRE-SE, COMO CONTIDO NO TEXTO, DA MATÉRIA QUE ESSA SITUAÇÃO VEM DE LONGE, PASSANDO PELOS GOVERNOS DE CARLOS SANTANA E PEDRO SERAFIM. APESAR DAS EMPRESAS QUE VIERAM E ESTÃO CHEGANDO FOSSEM PREVISÍVEIS HÁ MAIS DE 20 ANOS, NADA SE FEZ PELO ENSINO DE QUALIDADE, A FIM DE QUE A NOSSA GENTE TIVESSE UM BOM EMPREGO EM SUAPE E EM SEU ENTORNO, QUE CRESCE A CADA DIA. EM RAZÃO DESSE GRITANTE CONTRASTE, OS IPOJUCANOS QUE CONSEGUEM EMPREGO NAS EMPRESAS DAQUI TÊM OS PIORES SALÁRIOS DA REGIÃO.

0 comentários:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.